
Como no mural repleto de recortes coloridos de “Brilho Eterno”, o diretor nos traz agora um filme mais “acessível”. É a espetacular comédia “Be Kind, Rewind”, filme escolhido a dedo para encerrar o festival de Berlim deste ano.
Ouvi dizer também que o título escolhido para o lançamento do filme no Brasil é “Rebobine, Por Favor”, tradução literal do título em inglês, o que achei ótimo, visto o festival de nomes bizarros que as pessoas inventam para filmes geniais...
Aqui o tema da memória regressa - só que desta vez não é o homem que se perde nas próprias lembranças como no primeiro filme do diretor ( Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças), mas sim as anciãs fitas VHS de uma remota video-locadora americana que perdem toda a gravação de seu conteúdo.
Declaração de amor pelo cinema, o filme capta a vida monótona de uma cidade pacata no interior dos Estados Unidos – Pasaic, em New Jersey, que busca, no fundo, um ensejo para viver.
Os dois protagonistas, um simpático Mos Deff e um incorrigível Jack Black (em interpretação de cair o queixo) se conectam numa maluca dupla dinâmica para reparar o erro das fitas da loja do personagem carrancudo de Danny Glover.
Tudo isso porque Black fica “magnetizado” de forma ridícula, entra na loja e sem muito porquê estraga e deleta todo o conteúdo dos tapes. A dupla resolve então criar uma produtora nova: refazer todos os filmes com uma câmera amadora e deixar para ser alugada sob o título-filtro de “Swede” (só vendo pra entender).
Lá vão os dois refilmando Ghostbusters, Robocop, 2001, King Kong. Essas re-interpretações dos filmes que dão charme de criatividade presente no trabalho inventivo do diretor. A maneira de produzir essas mega produções de Hollywood como se qualquer pessoa pudesse fazer em seu próprio quintal é deslumbrante. Cena de King Kong subindo um prédio? É caixa de papelão, e o gorila é um ator com um pára-choque de carro de brinquedo na cara simulando a boca do gigante. Cena do astronauta andando a 360º na nave em 2001? É um cano velho de esgoto girando com a câmera. Robocop? Recheiam Jack Black de latas e alumínio. Conduzindo Miss Daisy? Prepare-se para se esborrachar de rir com o que eles fazem.
A criatividade (e a simplicidade) toma conta de jeito saboroso, até a partir da metade, por conta de uns assuntos jurídicos, ser feito um filme independente sobre a biografia do grande jazzista Fats Waller. Juntam um bairro inteiro para fazê-lo, oferecendo inestimável motivo na vida de cada pessoa destinada ao fracasso e à inexistência (a atriz Mia Farrow representa a própria “pessoa esquecida” pela vida, espelhando sua própria carreira – atriz esquecida fazendo mulher esquecida).
O resultado é um filme dentro do filme, marca de Gondry, e aqui o filme-sucata vira cult de verdade. Projeção que atravessa a janela, projeção de vidro,que encanta qualquer pedestre morrendo de pressa. “Rebobine, por favor” faz você rebobinar certos conceitos de sua vida. Revendo conceitos e percebendo que talvez você deva dar um pause em todos os seus problemas, rebobinar tudo, apertar play e finalmente ir forward. Num mundo tão rápido como um DVD que você pula de cena a outra num botão, talvez levantar e achar a cena certa apertando pra frente e pra trás seja a poesia necessária para o nosso filme.
Fique esperto com a data de lançamento do filme por aqui, ainda não anunciada, mas prevista para outubro: assim como todos os filmes de Gondry, imperdível!! O trailer eu já coloco aqui para vocês, e também uns videozinhos que achei na internet das versões “sweded”. Divirta-se!!
TRAILER OFICIAL:
VERSÕES SWEDED:
GHOSTBUSTERS
ROBOCOP
RUSH HOUR 2
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